Após a reeleição, Obama adota linha de confronto

Presidente eleva o tom contra os republicanos em temas cruciais como o abismo fiscal e mudanças na saúde.

Oficialmente, Barack Obama dá início à sua nova gestão à frente da Presidência dos Estados Unidos neste domingo, dia 20, mas os desafios desse novo mandato já têm feito parte da rotina do democrata, que deve dedicar neste governo mais força a uma agenda própria do que às questões que antes o pautavam para a disputa da reeleição.

Tem de enfrentar urgentemente as discussões para desenrolar o imbróglio do abismo fiscal, evitando alcançar o teto dos gastos do governo. E ainda não conseguiu implementar as mudanças no sistema de saúde, cuja aprovação marcou o principal ganho de seu primeiro mandato.

 

Mas, a seu favor, o presidente conta com um aliado fortíssimo: a economia americana dando sinais de recuperação. Um importante dado divulgado ontem confirma as estimativas de especialistas que já veem uma melhoria consistente no cenário.

O número de americanos que pediram auxílio-desemprego caiu para uma mínima de cinco anos na semana passada, em um sinal positivo para o apático mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuaram 37 mil, para 335 mil segundo dados ajustados sazonalmente, o menor nível desde janeiro de 2008, informou o Departamento do Trabalho. Foi a maior queda semanal desde fevereiro de 2010.

“Obama não tem espaço para acomodação. Ele luta para afirmar sua liderança aqui e agora. Não tem como pensar só no legado que deixará para a história”, avalia Gabriel Rico, presidente da Amcham (Câmara de Comércio Americana).

A expectativa é que, para reforçar sua posição, o presidente se exponha com mais frequência em discussões com o Congresso Nacional, especialmente no tocante àquelas duas questões centrais deste primeiro ano do segundo mandato: o ajuste fiscal e o sistema de saúde.

“Uma vantagem que Obama tem a seu favor é que a solução da questão fiscal não interessa apenas à Presidência, muitos empresários republicanos também querem uma definição sobre isso”, pondera Rodrigo Cintra, coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM.

O presidente americano tem deixado claro que uma de suas principais estratégias é chamar os republicanos para a realidade. Ele já declarou, por exemplo, que “os republicanos têm duas escolhas: podem agir de forma responsável e pagar as contas americanas ou podem agir de forma irresponsável e atirar os EUA em uma nova crise econômica”.

Essa postura tem sido adotada especialmente porque Obama ainda lidará com um Congresso de maioria republicana até o fim do próximo ano. E, passados os dois primeiros anos deste segundo mandato, o presidente irá se deparar novamente com o desafio de tentar eleger uma maioria de congressistas democratas – algo que não conseguiu em sua primeira gestão.

“É difícil prever como vai se dar essa sucessão no Congresso porque, se o Partido Republicano não se atualizar, terá menos chances de manter a maioria. Caso contrário, quem poderá ficar exposto são os democratas”, avalia Marcus Vinicius de Freitas, coordenador do curso de Relações Internacionais da Faap.

Obama jurará oficialmente seu cargo para iniciar o segundo mandato neste domingo, 20, diante de sua família em uma breve cerimônia na Casa Branca, que será televisionada.

De acordo com a Constituição, o segundo mandato começa automaticamente no dia 20, mas as celebrações e a cerimônia pública de juramento no Capitólio foram transferidas para o dia 21 (segunda-feira).

Fonte: Jornal Brasil Econômico, 18/01/2013, Página 4

http://brasileconomico.ig.com.br/noticias/apos-a-reeleicao-obama-adota-linha-de-confronto_127429.html

Deixe uma resposta