Obama tenta recuperar imagem ruim deixada por Bush

Em apenas dois dias, a comitiva americana conseguiu montar uma agenda para o presidente Barack Obama no Brasil carregada de simbolismos. A troca da sisuda São Paulo pelo Rio de Janeiro; o discurso ao “povo brasileiro” e as boas-vindas à nova presidente do país: mensagens que pontuam o desejo de uma relação estratégica e amigável com o maior representante da América Latina, apontam especialistas brasileiros e americanos ouvidos pelo R7.

 

Tasso Marcelo/15.03.2011/Agência EstadoTasso Marcelo/15.03.2011/Agência Estado

Máscaras de Obama tomam o comércio popular carioca; viagem terá caráter popular e deve reforçar laços com Brasil



O cientista político e professor de Relações Internacionais da ESPM, Rodrigo Cintra, afirma que o objetivo da viagem é antes simbólico do que prático. Para ele, Obama tentará melhorar a imagem ruim deixada aos brasileiros pelo antecessor George W. Bush, mas não espera grandes acordos e parcerias concretas.

– A escolha pelo Rio de Janeiro é bastante representativa. A cidade não traduz os negócios, como São Paulo, mas o povo brasileiro. Será uma apresentação pública do presidente e oportunidade de mostrar como o seu país está alinhado com o Brasil.

Novo capítulo com Dilma

A relação com Dilma Rousseff também será um ponto de destaque na visita. Figura mais prática e menos ideológica do que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, Obama deve construir com Dilma uma relação mais “funcional”, afirma Shannon O’Neil, especialista em estudos sobre a América Latina do Council on Foreign Relations, de Washington.

– A identificação já é natural por serem dois presidentes pioneiros [Dilma a primeira mulher presidente do Brasil, e Obama o primeiro negro na Presidência americana]. Desde que Dilma foi eleita, ambos deram sinais de relação será mais funcional, objetiva e reflexiva.

Pontos que criavam polêmica entre os dois países, como o apoio do Brasil ao programa nuclear iraniano e aos líderes anti-EUA (Hugo Chávez e Fidel Castro), perderam a força com a saída de Lula e vão passar longe dos jantares e reuniões entre os presidentes, na opinião de Julia Sweig, também membro do Council on Foreign Relations.

– Dilma deixou seu recado ao se dizer defensora dos direitos humanos no começo do mandato. Isso não significa que EUA e Brasil não terão suas discordâncias, mas sinto um movimento para superarem esses pontos e manter a parceria.

 

Plateia agora são os brasileiros

Os grandes discursos populares no exterior começaram ainda quando Obama era candidato na Coluna da Vitória, em Berlim, teve seu grande momento na Universidade do Cairo, ao se reconciliar com o mundo muçulmano. Agora o Theatro Municipal, no centro carioca, será o seu mais novo palco para reforçar os “valores americanos”, aponta o professor Rodrigo Cintra.

– Obama escolheu reforçar os valores universais da igualdade e democracia para todo povo brasileiro. Será uma grande propaganda no sentido positivo. Bush deixou mensagem negativa, e Obama quer recuperar liderança ‘do bem’ americana.

Na análise de Peter Hakim, presidente do instituto Inter-American Dialogue, o evento também delimitará a importância do Brasil para a América Latina.

– Acabo de voltar da Colômbia e o que eu ouvi por lá foi que o mais importante acontecimento na América Latina nos últimos tempos é a ascensão do Brasil [no plano internacional]. Então, o que ele vai dizer ao Brasil terá reflexos em toda a região.

A Casa Branca indicou que o discurso de Obama no Rio de Janeiro será “aos brasileiros” e o discurso em Santiago do Chile, para onde o presidente americano irá sem seguida, será voltado à América Latina como um todo.

 

Fonte: http://noticias.r7.com/internacional/noticias/obama-tenta-recuperar-imagem-ruim-deixada-por-bush-20110318.html

Fonte alternativa: http://www.folhavitoria.com.br/politica/noticia/2011/03/obama-tenta-recuperar-imagem-ruim-deixada-por-bush.html

 

Deixe uma resposta