Geithner na China: entre o curto e o longo prazo

Timothy F. Geithner, Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, tem o desafio de encaminhar uma das mais importantes incertezas na economia norte-america: irá a China continuar a financiar o déficit comercial dos EUA, comprando seus títulos de dívida externa? O tema é tão delicado que Geinthner irá, pessoalmente, conversar sobre este tema com o alto escalão do governo chinês, o que inclui o próprio presidente da China.

A conversa não será tranqüila, especialmente porque Geithner declarou, durante sua sabatina de confirmação no Senado norte-americano, que o presidente Obama, aconselhado por notáveis economistas, acredita que a China tem manipulado sua moeda de forma a tornar os produtos chineses mais competitivos. Caso isto seja verdade, a legislação norte-americana abre espaço para a imposição de barreiras comerciais, procurando acabar com a distorção causada em função de câmbios artificialmente sustentados.

Em função disto, alguns setores produtivos dos EUA já se articularam e pressionam o governo Obama para que efetivamente imponha barreiras à China. Assim, um novo desafio surge para o presidente, que terá que cuidar de interesses contrários: atender às demandas internas e colocar barreiras aos produtos chineses ou não criar problemas com a China e tentar que eles continuem a comprar os títulos norte-americanos, financiando o déficit.

Os sustentáveis déficits comerciais dos EUA mostram-se como uma potencial ameaça aos chineses, que têm a maior parte de suas reservas em dólares. Quando mais ameaçada estiver a sustentação do dólar, maior será o risco de as reservas chinesas perderem valor caso haja a esperada desvalorização do dólar. Isso formaria um ciclo vicioso que certamente teria impactos bastante negativos não só para China e Estados Unidos, mas para a economia mundial como um todo.

Isto, em tese, força um compromisso maior dos EUA com relação à China, buscando estabilizar a relação e garantir que o governo chinês continue investindo nos títulos norte-americanos. Por outro lado, a decisão pode vir num momento muito negativo em termos políticos, de forma que o posicionamento defendido por Geithner pode ser outro. Na próxima semana Obama terá que decidir o caso do fechamento ou não da GM, o que deixa os trabalhadores norte-americanos ainda mais receosos e atentos aos passos do presidente.

Assim, o governo Obama deverá mostrar se está focado no curto ou no longo prazo. Independente da resposta, muito ainda restará por ser feito.

 

Publicado originalmente em FinancialWeb

http://www.financialweb.com.br/blogs/blog.asp?cod=98

 

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